4.11.09
sombra tempo projetado
Esses dias vi o passado.
Continuei no mesmo caminho, fingindo não ter visto.
Se ele também me visse, simplesmente não saberia o que fazer.
A indiferença pode ser a paralisia do muito sentir.
E algumas coisas são mais vivas quando permanecem apenas na memória.
Como essa estratégia-ilusão:
Eu lembro só o que quiser.
E se ainda assim não conseguir fazer uma seleção bonita,
bem, meu bem, nenhuma realidade me dirá que estou enganada.
No fim, foi só uma reminiscência.
Pensei nos tantos anos que já passaram, nas tantas que já fui.
às vezes, o mundo dá voltas tão sutis,
que uma vida inteira se revela num olhar ignorado.
afundar /adentrar
Não existe aprofundamento sem abandono.
Fechar os olhos, ignorar o redor.
Mirando em frente, ao som de just a perfect day.
Mergulho-abandono.
A flecha mal tem tempo de se despedir do arco.
O fio do arco que ela mal conhece, apesar de do toque, apesar do impulso.
Não se pode ter medo dos desejos,
menos ainda duvidá-los.
há apenas que desejar conhecê-los.
como o amor novo, aquele que mesmo conhecido eternamente se revela.
I was a stranger, and I'm a stranger to me yet.
Fechar os olhos, ignorar o redor.
Mirando em frente, ao som de just a perfect day.
Mergulho-abandono.
A flecha mal tem tempo de se despedir do arco.
O fio do arco que ela mal conhece, apesar de do toque, apesar do impulso.
Não se pode ter medo dos desejos,
menos ainda duvidá-los.
há apenas que desejar conhecê-los.
como o amor novo, aquele que mesmo conhecido eternamente se revela.
I was a stranger, and I'm a stranger to me yet.
22.10.09
olhar zero
nunca existe, mas sempre uma tentativa.
Tenho me sentido como uma criança.
Nada pueril, mas alguém que está no mundo muito jovem.
entrando, agora.
definitivamente, nos últimos meses, algo se perdeu
[algo que queria muito perder].
não sei para onde foi.
às vezes penso receosa que está em minha mãe.
às vezes fantasio que o que está perdido escondeu-se de mim.
virá agarrar meus pés à noite.
tomará conta do meu corpo aos olhos dos outros mais rápido do que poderei me dar conta.
[a saber: sempre foi assim, por isso talvez a paralisia me assaltava]
são só temores ligeiros. sonhos do qual sempre desperto.
rapidamente e sem susto.
curiosamente, a calma presente no fundo dos meus olhos combina com o estado infância que tem se mostrado sob o sol dos meus dias recentes.
me sinto diante do mar, do horizonte infinito-indefinido.
pronta para me perder.
com a clareza absurda de quem está muito bem onde está.
Tenho me sentido como uma criança.
Nada pueril, mas alguém que está no mundo muito jovem.
entrando, agora.
definitivamente, nos últimos meses, algo se perdeu
[algo que queria muito perder].
não sei para onde foi.
às vezes penso receosa que está em minha mãe.
às vezes fantasio que o que está perdido escondeu-se de mim.
virá agarrar meus pés à noite.
tomará conta do meu corpo aos olhos dos outros mais rápido do que poderei me dar conta.
[a saber: sempre foi assim, por isso talvez a paralisia me assaltava]
são só temores ligeiros. sonhos do qual sempre desperto.
rapidamente e sem susto.
curiosamente, a calma presente no fundo dos meus olhos combina com o estado infância que tem se mostrado sob o sol dos meus dias recentes.
me sinto diante do mar, do horizonte infinito-indefinido.
pronta para me perder.
com a clareza absurda de quem está muito bem onde está.
Marcadores:
controle,
encontro,
experiência,
perder-se
28.9.09
olhar ao alto
algumas certezas são como um cilindro bem fino, comprido,
com a base minimamente mais larga e feitos de vidro.
olham o alto e são brilhantes,
mas tremem a qualquer toque.
22.9.09
imagem-nada
20.9.09
Ao rio turvo:
o que existe não existe ao mesmo tempo,
jaz guardado no profundo distante.
Curiosamente é quando lembramos que o esquecido se torna presente, e ao mesmo tempo, turvo.
a memória é algo turvo.
em permenente processo de distorção.
lembro turvamente, e clareando,
ou turvando,
logo vira outro.
o mesmo, mas outro.
então um fato pode ser milhares.
na minha lembrança ou na dos outros - ao mesmo tempo, quase.
na minha lembrança - ao longo dos anos, ou quem sabe mesmo dos minutos.
e quando lembrado, parece um oásis:
tão perto,
quase táctil.
para logo embaçar diante da seguinte pergunta:
era aquilo mesmo?
lembrei de tudo?
?
lembrar de tudo é um sonho no topo da montanha mais alta.
todos sabem o quanto é improvável
e mesmo assim não desistem de tentar.
curisosamente, há tantos caminhos para se chegar lá...
o que levamos nesse caminho?
e talvez, mais importante:
o que perdemos pelo caminho?
às vezes, quando o tocamos [o vestígio da memória] é que nos damos conta do quanto distante estamos do resgaste da origem da lembrança.
como o movimento:
esquecido - lembrar - esquecer.
ou:
esquecer - lembrar - esmiuçar - aniquilar.
.......................................
o rio turvo também é espiral.
levando tudo embora,
quebrando em pequenas partes para engolir o monte indissociável,
arrasta as memórias para o horizonte do mar.
bem à vista, mas inalcançável.
14.9.09
para afogar um amor no rio
aos poucos, uma sentença por vez:
ou: um enterro para a novidade no amor.
[as frases que faltavam,
e muitas outras permanecerão faltando]
- dissonância
- rios paralelos, não se encontram
- os dias em fim
- os dias sem fim
- correr e não chegar
- correr e para sempre correr
- no outro vive o encontro
- desapontar direções
- viver desarticulações
- o que esquecemos de propósito
- esquecer de lembrar
- a memória é onda
- olhar na direção indesejada
- esquecer de desejar a direção
- correspondências extraviadas
- vontades extraviadas
- a vontade é onda
- o fim do deserto
em Red Apple Falls, Smog ainda diz: it's hard...to live...
ou: um enterro para a novidade no amor.
[as frases que faltavam,
e muitas outras permanecerão faltando]
- dissonância
- rios paralelos, não se encontram
- os dias em fim
- os dias sem fim
- correr e não chegar
- correr e para sempre correr
- no outro vive o encontro
- desapontar direções
- viver desarticulações
- o que esquecemos de propósito
- esquecer de lembrar
- a memória é onda
- olhar na direção indesejada
- esquecer de desejar a direção
- correspondências extraviadas
- vontades extraviadas
- a vontade é onda
- o fim do deserto
em Red Apple Falls, Smog ainda diz: it's hard...to live...
Marcadores:
esquecimento,
experiência,
landscapes,
palavras,
vontades
Assinar:
Postagens (Atom)
