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10.6.10

bruno e os alfinetes


ele tinha uns alfinetes e escrevia na cabeça deles.
mas as frases eram enormes.

era tanto a dizer, nunca caberia ali.

e mesmo assim ele insistia.

fazia tudo bem pequenininho,
pra caber ali.

ele escrevia como se falasse baixinho.
mal dava pra ouvir,
mal dava pra ler.

e mesmo assim ele escrevia
e dava os auto-falantes pras pessoas enxergarem depois.

aí elas iam escutando quase cegas.

e os alfinetes viravam pregos enormes,
pregando palavras na cabeça das pessoas.

...

e elas nunca esqueciam,
porque podiam pregar as palavras pregadas no peito.
[segurando a camisa no casaco].
e ouvindo baixinho o que elas não queriam esquecer.