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20.6.10
10.6.10
bruno e os alfinetes
mas as frases eram enormes.
era tanto a dizer, nunca caberia ali.
e mesmo assim ele insistia.
fazia tudo bem pequenininho,
pra caber ali.
ele escrevia como se falasse baixinho.
mal dava pra ouvir,
mal dava pra ler.
e mesmo assim ele escrevia
e dava os auto-falantes pras pessoas enxergarem depois.
aí elas iam escutando quase cegas.
e os alfinetes viravam pregos enormes,
pregando palavras na cabeça das pessoas.
...
e elas nunca esqueciam,
porque podiam pregar as palavras pregadas no peito.
[segurando a camisa no casaco].
e ouvindo baixinho o que elas não queriam esquecer.
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