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31.5.14

meu silêncio acaba tarde *

meu silêncio é horizonte.
vai até onde a vista alcança.

sua potência tem volume alto,

não se apaga nem com o fechar dos olhos.

coração, mola propulsora.

das insônias e das enchentes,
do olhar-mar, oceano que afoga as palavras.

...


quando o som se afoga, grita aqui dentro.

nota grave, baixa frequencia, redemoinho no pensamento, a palavra calada.
[mas no mar profundo sou peixe abissal:
meu olho é uma lanterna. 
luz de passos graves em direção ao horizonte].

...


a luz do meu olhar é o raio de luz infinito do deserto.

coração propulsor da busca
mantém silenciosos estes passos
enquanto atravessam o deserto.
enquanto miram o horizonte-oásis
farol do desejo que me faz calar.


______________________________________________________________________________________
*Meu silêncio acaba tarde é título e conteúdo de um post de Samuel Bovo.
Este texto é uma réplica criada como resposta à proposição do autor de diálogo textual.
Ver aqui:  http://samucabovo.blogspot.com.br/2014/04/meu-silencio-acaba-tarde.html


12.4.14

embrace who you are

Não sou de postar artigos aqui.
Pelo menos não de modo puro e simples, 
sem desenvolver uma história, uma narrativa pessoal em conjunto com a informação publicada.

Mas neste caso não.
Quero apenas lembrar, to be who I'm with my whole heart [Brené Brown] e aqui, o mesmo sentimento:

Honor yout truth: 
http://www.mysticmamma.com/honor-your-truth/

Lembrar, respirar, ser.

Meditation.

>>>>>>>  Stay tunned!!! <<<<<<<


30.3.13

o vazio que é o eco.

uma imagem:
uma pessoa com todas as qualidades para não cantar.

tem timidez.

não tem disciplina.
não tem afinação,
tem ansiedade.
não respira bem
não sabe bem marcar, falar, projetar o som ao longe.

no lugar da garganta

tem um vazio.

[o vazio tem tantos tipos quanto funções]


o vazio de tudo o que se recusou a funcionar e de lá foi embora;

o vazio de todas as frustrações extraídas, aquele das vontades que não germinaram.
o vazio da comunicação não exercida, a fala muda da falta de inspiração.

mas a canção não começa na garganta.


começa no coração alegre, na dor que percorreu todo o corpo.

[e a projeção é antes de tudo mental].

...


outra imagem:

o vazio é uma caixa acústica.
uma caixa interna de vibração e eco.

o vazio é é bomba pulsante.

[se torna vontade propulsora].
e a vibração é a melodia que começou no corpo todo.
no corpo alegre de querer projetar a sua voz ao mundo todo.

e canta, mesmo sem respirar bem pra marcar, falar, projetar o som ao longe.

canta porque a canção começou na alegria e vontade muito intensas,
na frequencia descompassada que é o desejo.

dentro do corpo,

dentro da mente, um salto.

o salto de quem canta a partir do vazio.

a ausência que vai potencializar todo o preenchimento,
da caixa em que cabe todo o desejo do corpo,
a ser emitido em alta frequencia, 
derramado em todos os gestos, todas as palavras entoadas, todas as vontades germinadas.


3.6.12

As cidades dentro das cidades e a cidade imaginada.

No redemoinho, a água tem camadas.

como as cidades, que se constroem sobre si mesmas, 
rapidamente, em círculos.

círculo: 
volta, retorno, fechamento, sem ponto de partida, sem ponto de chegada-fechada.
re-inícios, re-loopings, re-observações, re-distanciamentos.
Em curvas, em tonturas, indo para todo lugar, indo para lugar nenhum.

Não quero estar na curva, quero estar na linha.

Nas quadras, nos encontros, nas portas.
Nas passagens, nos corredores, nos cruzamentos.
Nas travessias, nos barcos, no mar.

...no mar de cidades, deve existir a cidade oásis.
[tão real porque tão longe do deserto].

Perdida entre pistas, entre cidades diversas.
às vezes escondida nas curvas, nas tangentes...
Nas esquinas as curvas dissolvem-se em linhas.
em encontros, em acostamentos.

A cidade oásis é cidade de sonho e de projeção.


é busca nas tangentes, busca nas retas.
é turva de quem busca sonhando, olhando para...
é busca de quem olha.

É projeção de construção.
Em cada linha, um risco.
um traço, uma soma, um encontro.

...
De esquina em esquina, como quem soma vértices,
Construo a minha casa, o meu cubo, a minha paisagem de mesh points.

Em cada ponto um encontro, em cada ponto uma trama.
Em cada trama o encontro de cidades e de tricô.
Costurando-tricotando-tramando uma paisagem de viver.

Uma paisagem-rede, a pescar a minha cidade oásis dentro do mar de cidades.


__________________________________________________________________
ilustração de Dan Mountford.









28.5.12

o olho em espiral

[ou Eye of Sahara, ou Richat Structure]*

o olho do deserto é cego de névoa.

é cego de olhar em espiral,
[atônito de si mesmo, de sua pele horizonte].

olho cego de névoa


o olho do deserto é constante nuvem.
nuvem de ventos distantes,
ventos que caminham a distância para dentro do olhar.

sou cego de névoa e enquanto caminho percebo turvamente o meu redor.

o olho cego é antes de tudo um olho tátil.
a cada superfície diferente, todos os dias diferentes...
superfícies de torpor e vertigem.
[horizontes vertiginosos, horizontes alucinados, horizontes enleados, horizontes  atordoados].

...
o olho cego de névoa, quando não pode olhar para fora, olha para dentro.

[há tanta neblina lá fora, e o sol aqui dentro].

olha para dentro e respira fundo até o equilibrista.

[não importam os pesos, as medidas, as gravidades.
não importa os dizeres, as tantas palavras, os discursos difusos.
o equilibrista caminha sempre em uma única direção, sempre a meta.
o foco de viver, a busca de seu horizonte oásis.]

o oásis em cada olho é o oásis particular.
existem tantos oásis quanto existem pessoas.

_____
* mais informações e imagens, aqui.

4.5.12

adubar o deserto

o deserto é a busca do oásis.

sobre o oásis:
a ilusão não está no objeto de desejo, está no lugar do objeto de desejo.
algo que é buscado cegamente no lugar onde ele não está.
então, a questão: se eu mudar de lugar, alcanço o desejo?

o deserto é local a ser atravessado, não é lugar de chegar.

e todo o trajeto tem a mesma paisagem,
dissimulada como as dunas...

...
toda a areia com as marcas dos meus pés.
caminho na estrada, caminho na paisagem.

cada marca é um ponto-grão de areia.
um ponto marcado como a ponta da bengala de quem quer chegar.

é que em cada marca eu adubo a terra,
adubo a distância percorrida,
[toda a distância projetada],
cimento a areia,
[areia não-movediça, areia não-oásis],
atravesso o salto no tempo de aterrizar.

mergulho no salto, mergulho-trajeto.
o limite do deserto é a outra parte da estrada.
estrada de cimento sinuosa,
sinuosa de velocidade de viver.

14.2.12

o salto ornamental

...
...
...
Antes do salto, tem a rampa.

e tem os passos em direção à ponta da rampa,
e antes disso uma vida inteira.

a cada passo, uma ansiedade que nos forçamos a anestesiar,
como se os passos pudessem ficar cada vez mais leves, mais etéreos.

Na ponta da rampa a imobilidade.
O olho no fundo do mar, escondido embaixo da superfície calma da água.

Na ponta da rampa a ansiedade é diluída em respiros,
no olhar concentrado que esquece a altura, esquece o mundo à sua volta, esquece a vida inteira atrás da rampa.

no olhar que tenta esquecer a vertigem de viver.

A concentração é longa como os respiros, cada vez mais profundos, cada vez mais voltados para dentro de si.
Os respiros são suaves como os hibernantes.
Acumulando toda a energia durante o sono,
numa movimentação interna muito particular.
De instinto acordado mas de olhos fechados para o redor.

o redor da rampa e da vida atrás da rampa que irá abandonar.

o tempo vira vertigem.
poderia ficar semanas em cima da rampa, hibernando de olho sonhador dentro do mar.

e tão logo nos damos conta o sonho é o que sempre foi - a daydream living, e acordamos já na ponta dos pés, na ponta do salto que o corpo decidiu quando estava pronto, num instante sempre quase exato [e sempre incerto] à pausa do respiro.

hibernamos porque o salto é ornamental:
o salto calculado em cada movimento que no fim é sempre incerto, é sempre a busca de um ideal.
o ideal em direção ao mar revolto.
o mar embaixo d'agua é destino.

é onde a vertigem de viver toca em cada poro da pele.
onde estamos muito vivos, e acordados afinal.


3.1.12

oh Beckett, sempre Beckett...


Nunca ter tentado. Nunca ter falhado.
Não importa. Tentar outra vez. Falhar
outra vez. Falhar melhor.

Samuel Beckett, Worstward Ho, 1983*

*No livro: In a given situaticion, Francys Alÿs, Cosac Naify, 2010.