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8.1.14

uma nota sobre os "projetos de insistência"




___________

1 - Frame do filme Before Midnight, de Richard Linklater, 2013.
2 - Mais posts sobre "projetos de insistência" na tag vontades.

4.1.14

to be wholehearted *

[ou: ela disse assim: 
abraçar as vulnerabilidades]


são tempos do vento.
e quando venta, as direções mudam.

às vezes parece mesmo que tudo ao redor venta.
o redemoinho bem em cima da cabeça.
o corpo inflado de nuvens densas.

imóvel.
o viajante cego de bússola desorientada
olhos e corpo na neblina.

caminha, mas a paisagem não muda.

[...]

[quando a espiral se encontra no coração]

é nevoeiro no deserto interior, 
cada passo é luta, cada passo é um projeto de insistência* desorientado.

a vulnerabilidade é o corpo que contém todos os passos desorientados.

[...]

amor.
desamor.
os pólos se invertem.
nevoeiro é tempestade.

...

e os raios todos apontam para o chão.
para a busca do eixo do meu redemoinho.
[que insiste nesse movimento espiralado - não vai a direção alguma].
um corpo que luta tanto dentro de si.

[...]

to be wholehearted:

ser o corpo vulnerável inteiro de suas múltiplas direções, equilibrado de todas as certezas e todas as dúvidas, todo o amor e angústia que couber na incerteza dessa vida caminhante, caminhar para lembrar que o passo é também efêmero, ele é o passo a frente de ontem e atrás do porvir.
o por vir que só vem depois dos dias, do calor-amor e das chuvas, as nuvens que se dissipam porque chega o dia em que a luz do dia sempre as atravessa, enchendo o olho de flare e de amor.

...

caminho o deserto [mesmo que em nevoeiro] sem medo.
o oásis é paisagem interior.


______________________

* Brené Brown em palestra no TEDx Houston [2010] fala sobre suas pesquisas sobre pessoas por ela intituladas wholehearted: de modo superficial, podemos dizer que são pessoas que não negam seus defeitos, suas inseguranças e incertezas. São pessoas que abraçam com coragem suas vulnerabilidades num mundo que é, afinal, incerto e vulnerável. "Who you are with your whole heart". É possibilidade que nos mantém sensíveis e reativos ao mundo, e também mais livres: livres dos apegos e das falsas seguranças. Imperfection. Não negar-se. Apenas viver.
A palestra se encontra neste link aqui.

Projeto de insistência é um termo que uso para designar a necessidade de manter-se em movimento e em direção ao foco, mesmo que este foco às vezes esteja nublado, ou simplesmente mude. Inclui questões como ilusão, projeção, vontade. Este assunto é recorrente neste blog tanto de modo mais direto quanto em várias subcamadas de entendimento.
Alguns exemplos diretos podem ser encontrados na tag vontades, neste blog.

2.8.13

a viagem vertical é uma viagem de uma linha só.

uma linha, uma seta.
mover.

o encontro com o interior,
é o lugar só de um.

adentro.
dentro.
o.

...
quando se dirige a seta para dentro de si,
como seria possível viajar com o outro?

.
as setas paralelas não costumam se encontrar.

...
como seria possível o rumo das linhas paralelas, quando movidas para o seu interior?

esse lugar tão particular, 
abismo
peixes abissais
o mar
o olho turvo
o deserto
a areia
o horizonte
suor
dor
amor
o.

......................................

desejo viajar o mar
esse deserto turvo,
e renascer debaixo da areia.
e em linhas paralelas contemplar o horizonte interior de mar.


20.6.13

amar é ato de um fôlego só.

amar também é um mergulho.

todos os mergulhos requerem amor,

e o desejo que é a vontade profunda.

...


é possível viver o amor sem o mergulho?


a menos que ele chegue devagarinho...

sem querer
sem perceber
sem esperar.

...

é melhor mergulhar enquanto estou vendada.
.

assim não respiro todas as inseguranças.

todos os bloqueios
todos os receios.

...

amar merece ser o mergulho de um fôlego só.
pra engolir o outro com toda intensidade.
virar casulo e voar.

porque se o amor não voa ele é frágil.

de tudo o que poderia ter sido e não foi.
de tudo o que tive medo de ser.

se os dois não souberem voar,
não saberão voar junto
e ficarão quietinhos vendo o outro desaparecer embaixo da terra.
desaparecer para ir a outro lugar.

...

minhas mãos são asas
que seguram e abraçam leve
o ar na ponta do pulso,
o impulso na ponta da abraço.
a vontade projetora propulsora.
leve de ar................................

o fôlego tem o tamanho da distância do mergulho.

depois dele vou me perder no outro
embaçar o olhar
que mira o horizonte tão distante das nossas linhas paralelas.


30.3.13

o vazio que é o eco.

uma imagem:
uma pessoa com todas as qualidades para não cantar.

tem timidez.

não tem disciplina.
não tem afinação,
tem ansiedade.
não respira bem
não sabe bem marcar, falar, projetar o som ao longe.

no lugar da garganta

tem um vazio.

[o vazio tem tantos tipos quanto funções]


o vazio de tudo o que se recusou a funcionar e de lá foi embora;

o vazio de todas as frustrações extraídas, aquele das vontades que não germinaram.
o vazio da comunicação não exercida, a fala muda da falta de inspiração.

mas a canção não começa na garganta.


começa no coração alegre, na dor que percorreu todo o corpo.

[e a projeção é antes de tudo mental].

...


outra imagem:

o vazio é uma caixa acústica.
uma caixa interna de vibração e eco.

o vazio é é bomba pulsante.

[se torna vontade propulsora].
e a vibração é a melodia que começou no corpo todo.
no corpo alegre de querer projetar a sua voz ao mundo todo.

e canta, mesmo sem respirar bem pra marcar, falar, projetar o som ao longe.

canta porque a canção começou na alegria e vontade muito intensas,
na frequencia descompassada que é o desejo.

dentro do corpo,

dentro da mente, um salto.

o salto de quem canta a partir do vazio.

a ausência que vai potencializar todo o preenchimento,
da caixa em que cabe todo o desejo do corpo,
a ser emitido em alta frequencia, 
derramado em todos os gestos, todas as palavras entoadas, todas as vontades germinadas.


20.1.13

a poeira da dúvida nuvem

vivo a certeza como um mergulho ornamental para dentro do mar.
não importam os redemoinhos, as correntezas, o repuxo.
não importam as chuvas, as tempestades, as trovoadas em alto mar.

a certeza é um raio em direção a um objetivo
o desejo cego que quem não duvida encontrar.

e percorro o desejo com a força intensa de quem foge da areia-movediça.
a areia que engole os passos, a direção, a vontade, o desejo.

...
[descobri que posso ter certeza por muito tempo.
não duvidar mesmo quando duvido, mesmo quando a acidez do deserto ameaça me engolir.]

...
quando se tem certeza por tanto tempo, esquecemos onde foi parar a dúvida.

...
a dúvida pode viver em cada grão de areia que sopro para longe, dentro de casa.
[já não a vejo, não quer dizer que tenha ido embora].

escondo a poeira da dúvida em muitos lugares, e esqueço que muitas vezes a escondo dentro de mim.
[a bola de dúvidas crescendo dentro do peito pode um dia afogar].

.........
... como viver a dúvida?

.fantasma da imobilidade, nuvem pesada de não chover.

...
ter certeza da vontade é tão relativo quanto as nuvens de chuva passageira,
que passam sem dar certeza de suas intenções.

a dúvida é o pesadelo dos inebriados da vontade, alienados de que as dúvidas são nuvens.

...
a dúvida-nuvem vive todos os dias, dos ensolarados aos mais tristes.
podem estar distantes, intimidadas pela vontadade solar, pela alegria vontade projetada.
podem ser grandes, obscuras e pesadas; passageiras ou insistentes.

melhor deixar chover.

deixa chover o choro da dor sublimada, do corpo que se rasga de insistir e não percebe,
chover o choro do corpo cansado na travessia no deserto, 
chover a nuvem que embaça o olhar, que endurece o coração sincero da vontade.

...
que chovam todas as dúvidas dentro do peito, 
para as nuvens se dissiparem com alegria,
para o sol voltar a brilhar no olhar sem nuvens.

6.11.12

trabalhar em silêncio

sou formiga ruminante.

trabalhando todos os dias, em silêncio, 
devorando lentamente os territórios ao redor.

lentamente.
quando o tempo discorre em ansiedade tudo parece lento ao redor.

às vezes a vertigem não se dá pelo movimento brusco,
mas pelo excesso da tentativa de observar o que discorre lentamente.

...
esqueço-me que ruminar é um processo.
é caminhar todos os dias na direção do desejo.

é sossegar com a mudez,
devorar com os olhos e com o pensamento.

é digerir criando.
desenhando a paisagem de viver
habitando o sonho, a busca, todo o horizonte.

criando - construindo o solo para cada próximo passo na ponte de estrada vertigem.
[pois caminhar é a parte invisível do salto].

ruminando-digerindo-criando.

até todo o alimento virar apenas uma voz.
que soará tão alta
a atravessar os desertos, os mares, as estradas, as vertigens.
até o horizonte mar.

14.10.12

o sono e a vigília

... as questões da diferença entre ficção/ciência, entre fantasia/verdade que são variantes do binômio sono/vigília... *

Fico pensando na invenção como algo próprio do sono/sonho.
e com isso...
o único modo de estar atento ao mundo, percebê-lo 
[observar-estar distanciado da invenção] 
é a vigília, o estado desperto.

o estado muito atento às emoções no universo externo particular.
[particular, mas no mundo].

se tenho sono, não observo.
vivo no deserto caminhante.
aquele que perde-se de todas as referências...
aquele que inventa, que cria,
mas que pode viver a delusion programed,
em loopings de viver, em redemoinhos de areia.

como inventar o despertador no deserto?
qual o som que toca para o vento cessar, e os olhos se abrirem de fim de nevoeiro?

nevoeiro dentro de si, mal enxerga o sol.
não enxerga os layers que atravessam as camadas de ser,
por entre as frestas,
do sono, do desejo, do conforto deep on the ground.

areia movediça.
mar repuxo-movediço.

os pés soterrados
os olhos fechados
a paisagem encerrada em névoa
o mundo inventado e real tão esmaecido

o despertador é o sol de fim do dia cinza,
aquele que chega rente aos olhos, invade as frestas
sedutor e incisivo.
mas um convite irregular.

regular deveria ser a vigília, que busca estar acordada com o dia,
e sempre esquece que existem as noites,
sempre adormece de repente,
e às vezes tem vontade de hibernar.

hibernar pesado como os ursos
ou as árvores seculares que caem quando as cortamos.

o peso da noite no olhar obscurece até a invenção,
o mundo que inventarmos-buscamos viver,
aquele cheio de alegrias, desperto como as articulações do relógio.
[a busca do ponteiro são as 12 horas].
e depois outro sol, outro trajeto, mudar como as dunas de areia.

aquele que abre os olhos não enxerga melhor.
[o seu horizonte de deserto nunca muda, ainda que caminhante]

aquele que abre os olhos enxerga onde está.
se eu não me mover, é o mundo que se move.
se eu me movo eu fixo o deserto como fixo o meu oásis.

o mar.

aquela eterna busca inventada, enquanto dormia, enquanto navega.


*texto de João A. Frayze-Pereira, em catálogo sobre obra de Grete Stern, IMS, 2009.

3.9.12

os desejos atemporais

são como o mar revolto.

revoltos dentro de si, perdidos no vai-e-vem de ondas, de redemoinhos temporais.

alargam a vontade para além de seu tempo, de sua paz, de seus amores, das conveniências...

são teimosos, navegam contra a maré do tempo.

navegam contra a razão, contra a efemeridade de ser, contra as geografias...

se perdem em ondas sonoras, em ondas de saudade ecoada.


são tão leves que se confundem na areia.

são tão densos que se perdem no mar.

no mar de tudo que sou, no oceano do outro, no eterno mistério de desconhecer.


porque o desejo é querer navegar o desconhecido.

é ter olhos de estrela enquanto navego olhando para o céu.

o céu e o mar noturnos são um só.

são o horizonte perdido no tato de quem quer tocar.

...

os desejos atemporais são leves como a efemeridade,
e persistentes como quem caminha em linha equilibrista, atravessando os tempos sem se abater.

eles nunca perdem a força,

nunca ficam fracos de nostalgia,
[não possuem o vivido para viver]
apenas dormem, quando os deixamos cair no profundo mar.

e toda a vez que o mar se revolta eles batem nas rochas,

quebram em luz branca, jogados de volta para superfície.
[para a pele tão sensível de desejar]
tão luminosos, tão visíveis, e de geografia tão fugaz.


9.6.12

no deserto é calor

e é tão dolorido quanto o frio.

o frio que exige tantos preenchimentos, tantas cobertas, tantas camadas.
tantos apegos, tantos confortos, tantas distrações...

todas as coisas sem as quais não consigo viver. todas as tramas que construí no meu cobertor.

cobertor - tramas - mesh-points - paisagem enredada de viver.

...
no calor, tudo é excesso.

tudo igualmente pesa.
peso-conforto-peso-desconforto.

no deserto é frio e calor como é noite e dia todos os dias.

[sinto falta de tudo para o que digo adeus].

no calor é difícil mover-se como no frio.
e no entanto, nos movemos.
nos movemos como se caminhando pudéssemos fugir do calor.

porque o deserto, se atravessa de dia.

enquanto sinto calor.
enquanto posso me despir de tudo o que pesa.
enquanto tenho força para atravessar o deserto todos os dias.

...
todos os dias infinitos do deserto vivem para ser atravessados, tudo o que me cobre me protege deserto de viver, todas as coisas mais amadas na vida merecem ser perdidas e recuperadas, todas as coisas merecem ser perdidas como quem protege o seu amor no fundo da memória, todo o deserto é grande demais pra ser atravessado com o peso das memórias, das densidades amorosas, dos escapismos rasos. EM TODO O DESERTO FAZ CALOR E EU SÓ POSSO ATRAVESSÁ-LO COM O DESEJO. no deserto o desejo faz calor e é por isso que eu não preciso de mais nada. vou me despir de todas as camadas na direção do desejo.



29.2.12

Sobre o salto (spirit desire)

...

Spirit desire (face me)
Spirit desire (don't displace me)
Spirit desire
We will fall

Miss me
Don't dismiss me

Spirit desire

Spirit desire [x3]
We will fall
Spirit desire
We will fall
Spirit desire [x3]
We will fall
Spirit desire
We will fall

* trecho da música Teen Age Riot [Sonic Youth, álbum Daydream Nation]
escute, é lindo, eu garanto. [leonilson way of life] - (clique aqui)

... Everybody's talking 'bout the stormy weather...

11.2.12

a doença como embrião hibernante.

A Doença*

Não se trata nem de aniquilar nem de domesticar; a doença veio e tu, como bom hospitaleiro, deixaste-a entrar, e condeste-lhe até a melhor das tuas cadeiras. Mas eis que a hóspede parece não querer levantar-se, nenhum indício revelou até agora (e quantos dias passaram?, semanas? meses?) de algo que se assemelhe ao início de uma cordial e bem-educada despedida. Olhas bem para ela, finalmente, da tua cadeira cada vez mais desconfortável, e como que medes, com os olhos, a sua força e eventualmente os seus amigos - hesitando assim entre ser rude, expulsando-a à força, e aceitar as circunstâncias com um certo desportivismo.
E dada a tua gentileza invulgar, que desde a infância te elogiam, inclinas-te por fim para a segunda solução: és tu, pois, que te levanta para sair, incitando-a a não deixar de comer da cozinha os teus últimos alimentos, e deixando-lhe então, por completo, e com último olhar de entendimento, toda a casa por sua conta.

*Gonçalo M. Tavares. Breves notas sobre o medo. Relógio D'Agua, 2007.

...................

a doença é o embrião hibernante.
embrião de metamorfose-metástase,
espelho e reflexo involuntário.
...acumulando energia para o abandono, como um animal que engole sem pensar.
devora toda a vida, e vai-se embora para outros lugares.
...até chegar lá já digeriu toda a vida,
buscando tudo o que é externo,
e tão interior.


13.1.12

4.8.11

marfim paralisado (e o mar)


Às vezes a paralisia pode nos tomar de assalto de uma maneira irreparável.

Quase sempre inadvertidamente, ela me pega pelos pés.
como o repuxo do mar, arrastando o solo debaixo do meus pés, enterrando-me.

Enterra-me pelos pés.
Ninguém viu meu corpo enterrado, porque ele parece livre.

...

O enterro é ilusão.
Solto facilmente meus pés, a areia nunca pára de mover-se.

... é que é a natureza mover-se, mesmo que não seja na direção do desejo.
[eu só me enterraria se nunca me movesse, mas a areia e a água são fortes porém lentas, e toda vez que olho pro chão e olho pro mar tenho vontade de correr...]

Desejo-megulho.

Fixa olho pro mar, já estou paralisada diante do desejo.
Se a areia me engole, é porque imóvel eu me afundei no aconchego tentador da areia fina, mole como o mergulho.

O desejo e a paralisia andam, assim, de mãos dadas.

me enlaçam em nuvens,
me congelam de olhos fechados na ventania do mar.

........................

Toda vez que venta areia nos olhos olhamos rápido e automaticamente para o outro lado.
tapo os meus olhos, como se o desejo não estivesse mais ali.
o corpo agita-se em ventania,
e rapidamente corremos para o outro lado.


[a tragédia da falta de ilusão é que]
só consigo mergulhar quando o mar já não espera mais por mim.


29.6.11

Instant Karma

Para purificar-se num instante:

Well we all shine on!!!
Like the moon, and the stars, and the sun...

A coisa mais bonita desta música é que John Lennon a canta com tanta força, como se ela fosse proporcional à possibilidade do desejo realizado.

30.5.11

3.4.11

desejar - esquecer-se

[ou: A loucura da fuga]

a persistência no desejo é possível através da lembrança constante.
lembrar - fixar - não deixar-se esquecer.

lembrar de maneira compulsória não permite a distração.

e qual poderia ser o sentido funcional da distração?

... não a distração como maneira de não enlouquecer na persistência, mas a distração como fuga que se impõe, que nos sequestra do desejo como válvula de...
...escape?
...auto-sabotagem?

para driblar a sabotagem: o eterno retorno.
avanços espirais,
vôos cíclicos e direcionais.

mas ainda: Haveria outra distração dissimulada no meio destas?
desejo-distração.
a distração como lembrança por oposição.
[para lembrar que existem outras coisas no mundo a desejar,
para lembrar do desejo-persistência pela distância, como a chuva faz lembrar o sol].

distração - catatonia necessária.
voltar correndo para o desejo como que para o amante.

correr. correr.


13.3.11

a vontade e o olhar.


No que me diz respeito, mais importantes ainda que o encontro de certas disposições de coisas para o espírito, me parecem as disposições de um espírito em relação a certas coisas, duas espécies de disposições que regem por si mesmas todas as formas de sensibilidade.*

Mal vale a pena ver, sem querer ouvir-perceber.
Breton bem sabia do acaso: jogar-se é como ter os olhos muito abertos.

Mas nem desejo ver tanto,
apenas vontade de ser alguém sem guarda-chuva.**

*André Breton, Nadja, ed. cosac naify, 2007
**Enrique Vila-Matas, A Viagem Vertical, ed. cosac naify, 2004