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16.2.12

o fundo da piscina mar

ou: illusion/ delusion

saltarei na água profunda,
[e tão efervescente],
como o desejo flanêur,
como os saltos de bolhas no ar aos olhos,
salpicando de distração o viver.

mergulharei com borbulhas e olhos abissais,
[o salto ornamental em direção à densidade]
até os sons graves indistintos,
os passos graves em direção à luz de pôr-do-sol,
tão distante na estrada cinza,
e tão interior.

o salto será hibernante,
e o fundo do mar cego de luz.

8.6.11

o lugar no não-lugar

[lost in translation 5]

estar entre os seus, estrangeiros, todos eles.
...

o não-lugar como ponto zero.

o não-lugar como espaço de estar. zero como o lugar, olhos abertos, copo esvaziado.
toda a intensidade vivida no não-lugar nos atravessa como a uma holografia.
intenso, vívido, etereo.

permanente depois de vivido.
surreal na pele.

...................

como se situar no não-lugar?
e, se isso soa tão simples e espontâneo, como situar-se aos lugares?
[os de sempre, em que vivemos]

como voltar para o real ludibriado, deixar aquela não-casa para trás?

minha casa é o lugar em que nunca estive. minha casa é viver o lugar como cada não-lugar. estrangeirismos...
ser estrangeiro nada mais é do que olhar de fora. dentro.

o não-lugar é lugar do impossível, de estar em todo canto, de ver enquanto vive cego, o olhar zero a cada dia.

...................

vou estar impossível, e tão real que os dias não vão se dar conta de que me mudei.



19.7.10

I'm a victim of this song *


Não sei dizer o que me afeta mais no trabalho de Pipilotti Rist:
Os vídeos já são algo tanto densos
[e contém o aúdio, talvez ainda mais marcante],
Os títulos...
uma frase que fala de um corpo de trabalho,
e de um corpo de sentimentos em mim.

ser vítima daquilo que assistimos como algo que nos afeta interiormente.
irradiando de um ponto para todo o resto.
o estranhamento como arma que perfura.
hoje começou nos tímpanos,
e percorreu lentamente todo o sistema sanguíneo.

começou me fazendo pensar que sou exatamente o oposto do que ela prega:
[e no entanto me reconheço tanto nas imagens]

I'm not the girl who misses much*

[...]
quando olho para a espera,
torturando-me na espera que não precisa existir
que é menos real do que faço ser...

porque insistimos em certas expectativas que sabemos não serem importantes?

o que isso denota?

penso que quando olhamos tanto para algo que não importa "tanto assim"
algo mais importante falta para ocupar aquele preciso lugar.
...
para se ocupar um lugar preciso é preciso possuir certas características específicas.

então, enfim, há alguma importância.
nem que seja a seta que indica um vazio.

I'm a girl who misses much.
but not "the" girl.

e às vezes, posso bem ser como ela.
[aquela que insiste: I'm not...]

......................

Pipilotti Rist também canta Wicked Game.
sem voz apropriada,
e a voz de uma criança canta que gritando.
que canta com as entranhas,
canta alto para ser ouvida.
ou para se ouvir.
como se o grito fosse a afirmação mais firme.

And I wanna fall in love
No, I don't want to fall in love
With you
...
I never dreamed that I'd love somebody like you
I never dreamed that I'd lose somebody like you

...
não me parece necessário desvendar o sentido de uma criança cantando uma canção de amor.
interessa o grito
alto para ecoar o universo
alto a quase rasgar-lhe por dentro.

sim,
sou vítima desta canção
e de tantas outras mais.


* Títulos de trabalhos em vídeoarte de Pipilotti Rist.

30.5.10

Auto Pilot [lost in translation 4]


auto pilot:

quando escuto uma canção sem me concentrar o suficiente na tradução,
acabo ouvindo muitas outras coisas.

I wanna fly to you....

uma canção me remete à estrada, e fico flanando pela melodia e pelos significados sem saber muito bem onde vou parar.
...
perder-se na tradução é jogo de vontades.


..........................................................


criei uma música-ficção debruçada sobre as vontades:

I wanna fly to you..
vivo ao redor
so many times in the middle of nowhere
I want fly with you
no control and "I live auto pilot".

...

viver é perder-se.
me perco nas palavras como me perco na vida.



22.4.10

outra paisagem:


ando nevoeiro.

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my eyes turned grey.
and turns, turns, turns every day.
last day I saw an orange shine.
and I see everything so white.

but my heart is grey
and I'm so alive.

como viver um estado de felicidade cinza?



lost in translation 3


Só me permito a colagem quando navego por cima.
quando penso transformá-la,
nem que seja pelo afeto.

esta canção tem a voz de Mark Lanegan:

my heart turns grey when I listen it,
and my eyes turns so shine.

escrever em outra língua é movimento de resistência,
é encontrar poesia no limbo.

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Carry Home

Come down to the willow garden with me
Come go with me
Come go and see

Although I've howled across fields and my eyes turned grey
Are yours still the same
Are you still the same

Carry home
I have returned
Through so many highways
And so many tears
Your letter never survived the heat of my hand
My buring hand
My sweating hand
Your love never survived the heat of my heart
My violent heart
In the dark

Carry home
I have returned
Through so many highways
And so many tears

Come down to the willow garden with me
Come go with me
Come go and see

Although I've howled across fields and my eyes turned grey
Are yours still the same

22.2.10

ao revés - pedem que eu diga quem eu sou


em certo conto de Enrique Vila-Matas, ele fala do revés. Sob alguns aspectos curiosos..
o mais intrigante talvez, ocorra quando um personagem constata que agride outro e no entanto não quer que ele se vá, não quer ficar sozinho.
acaba criando a cruel estratégia de agredir provocando, e o outro, curioso e perplexo, vai ficando.

algumas pessoas não demoram tanto para ir.

quantas vezes agredimos quando, se a gente parasse pra pensar, talvez fizesse exatamente o oposto?
se isso é sintoma de alguma causa que o outro nos inflige/ atiça, como saber?

como entender o sintoma das reações quando elas são um total disparate para com o sentimento?
essas reações, vale sinalizar, tendem a ser as mais instintivas.
o lado boçal do sentimento.

viro o rosto contra aquilo que não sei lidar.

as reações instintivas, tragicamente, têm a esperteza da rapidez.
não permitem que as forcem a agir de outra maneira.

como, então, ensinar ao deselegante instinto a agir de outra maneira?
e como ensinar a sensibilidade, ensinar sem pragmática?

estamos na linha estreita da sensibilidade e o auto-controle manipulador
[a saber: quase sempre ilusório, diversas vezes corrosivo].
a alegria de agir de acordo com o sentimento, contra a onda selvagem do instinto, é um encontro.

existe fórmula para este encontro?
o encontro não é linha, é acontecimento.
no entanto, se os acontecimentos ocorrem a partir do desejo, existe uma porta aberta.

...vou perseguindo a luz no fundo da penumbra difusa.
e assim vou encontrando o caminho que às vezes se perde, outras vezes se encontra, e outras vezes ainda, se transforma.
de qualquer forma, já disseram:
não encontramos nada que não estejamos perseguindo.
e outros disseram: o que importa é a busca.

acredito no que quero acreditar, viver é ilusão bem articulada.

reflexões extraídas a partir da leitura do conto
Pedem que eu diga quem eu sou,
de Enrique Vila-Matas
Suicídios Exemplares, Cosac Naify, 2009.

25.8.09

lost in translation 2


A memória é como a tradução.


pode boiar no lago
[às vezes, ao alcance das mãos]

mas perde-se facilmente no limbo.

só que, diferente,
não se recupera.

errância que dá voltas.

22.8.09

lost in translation


a tradução é uma espiral:


ir de um lugar ao mesmo,
num trajeto em que algo sempre se perde.