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12.4.14

embrace who you are

Não sou de postar artigos aqui.
Pelo menos não de modo puro e simples, 
sem desenvolver uma história, uma narrativa pessoal em conjunto com a informação publicada.

Mas neste caso não.
Quero apenas lembrar, to be who I'm with my whole heart [Brené Brown] e aqui, o mesmo sentimento:

Honor yout truth: 
http://www.mysticmamma.com/honor-your-truth/

Lembrar, respirar, ser.

Meditation.

>>>>>>>  Stay tunned!!! <<<<<<<


4.1.14

to be wholehearted *

[ou: ela disse assim: 
abraçar as vulnerabilidades]


são tempos do vento.
e quando venta, as direções mudam.

às vezes parece mesmo que tudo ao redor venta.
o redemoinho bem em cima da cabeça.
o corpo inflado de nuvens densas.

imóvel.
o viajante cego de bússola desorientada
olhos e corpo na neblina.

caminha, mas a paisagem não muda.

[...]

[quando a espiral se encontra no coração]

é nevoeiro no deserto interior, 
cada passo é luta, cada passo é um projeto de insistência* desorientado.

a vulnerabilidade é o corpo que contém todos os passos desorientados.

[...]

amor.
desamor.
os pólos se invertem.
nevoeiro é tempestade.

...

e os raios todos apontam para o chão.
para a busca do eixo do meu redemoinho.
[que insiste nesse movimento espiralado - não vai a direção alguma].
um corpo que luta tanto dentro de si.

[...]

to be wholehearted:

ser o corpo vulnerável inteiro de suas múltiplas direções, equilibrado de todas as certezas e todas as dúvidas, todo o amor e angústia que couber na incerteza dessa vida caminhante, caminhar para lembrar que o passo é também efêmero, ele é o passo a frente de ontem e atrás do porvir.
o por vir que só vem depois dos dias, do calor-amor e das chuvas, as nuvens que se dissipam porque chega o dia em que a luz do dia sempre as atravessa, enchendo o olho de flare e de amor.

...

caminho o deserto [mesmo que em nevoeiro] sem medo.
o oásis é paisagem interior.


______________________

* Brené Brown em palestra no TEDx Houston [2010] fala sobre suas pesquisas sobre pessoas por ela intituladas wholehearted: de modo superficial, podemos dizer que são pessoas que não negam seus defeitos, suas inseguranças e incertezas. São pessoas que abraçam com coragem suas vulnerabilidades num mundo que é, afinal, incerto e vulnerável. "Who you are with your whole heart". É possibilidade que nos mantém sensíveis e reativos ao mundo, e também mais livres: livres dos apegos e das falsas seguranças. Imperfection. Não negar-se. Apenas viver.
A palestra se encontra neste link aqui.

* Projeto de insistência é um termo que uso para designar a necessidade de manter-se em movimento e em direção ao foco, mesmo que este foco às vezes esteja nublado, ou simplesmente mude. Inclui questões como ilusão, projeção, vontade. Este assunto é recorrente neste blog tanto de modo mais direto quanto em várias subcamadas de entendimento.
Alguns exemplos diretos podem ser encontrados na tag vontades, neste blog.

1.1.14

as rotas afetivas


Como se dá a descoberta [e a permanência] de uma rota afetiva?

Talvez seja apenas o olhar atento ao passo insistente.
[e ainda que o caminhar cotidiano possa nublar esse olhar,
em dias amenos ele se revela com intensidade solar].

Para mim, a construção da rota levou a minha [ainda jovem] vida inteira.
tantas vezes espaçadas em tantos anos, 
uma rota perdida rotas, em dias, em experiências, em viver.

só depois de abandonar o cotidiano desta cidade, 
em retornos breves, 
é que pude perceber na insistência do passo errante,
nostalgico,
[mas também como aquele que caminha para pensar*]
sempre a mesma forma que o corpo risca:

esta é enfim, a forma da minha rota afetiva,
o traço do meu corpo em minha cidade natal.

_______________________
*citação do querido viajante Enrique Vila-Matas, em Doutor Pasavento:
"O que na realidade fazemos quando caminhamos por uma cidade é pensar."


5.2.13

deixar chover Manoel de Barros

... E aquele
Que nunca morou em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com seus fantasmas
Não foi marcado. Não será marcado. Nunca será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.

___
*trecho do poema ZONA HERMÉTICA, de Manoel de Barros, em Poesias [1947].
(no livro Manoel de Barros poesia completa, ed. Leya, São Paulo, 2012, p.82)



10.12.12

um deserto [de Manoel de Barros]

Uma espécie de gosto por tais miudezas me paralisa.
Caminho todas as tardes por este quarteirões
desertos, é certo.
Mas nunca tenho certeza
Se estou percorrendo o quarteirão deserto
Ou algum deserto em mim.



* não tenho a menor ideia de qual livro o texto se encontra.

Mas existe a suspeita de que seja do “Tratado geral das grandezas do íntimo”


3.11.12

escrever, desaguar.


....e, no entanto, poucas coisas parecem tão intimamente ligadas como o fracasso e a literatura.

*Enrique Vila-Matas em Ar de Dylan, Cosac Naify, 2012.

23.10.12

re-amores

ou golden hour after storn

o melhor sol é aquele que vem depois da chuva.
tingindo o dia e o olhar de alegria.



2.8.12

o amor como uma questão de geografia

a nossa maneira de amar pode mudar de acordo com o lugar onde se está?
[estar como ser caminhante]

ESTAR também diz respeito ao modo de SER.

ser
estar
viver
esperar
desejar
buscar
caminhar

o que se encontra no caminho diz respeito ao final do percurso?
[junto pedras e flores nos bolsos...
e cada um deles é a escolha de levá-los comigo.]

.................................................................

ser depende do modo de estar.
não importa o quao rápido esteja,
como se estar fosse sempre o movimento.

ser é uma constância mesmo que perene, mesmo que efêmero.

mudo o meu tempero, mudo meus desejos e necessidades.
mudo o meu estado de ser.
mudo o meu modo de abraçar o mundo
mudo o meu estado de estar.

mudo o meu modo de abraçar, de gostar, de desejar, de possuir, de dar, doar...
mudo o meu amor pelas pessoas e pelo mundo
mudo o modo como procuro o amor
onde o encontro, onde o enxergo, como o cativo.


..........................................................

cativar
só vale cativar num cativeiro sem paredes.
onde tudo são janelas gigantes de vento, poeira e alegria.

para viver o deserto com alguma alegria.

para atravessar o deserto em mar de nuvens.

talvez só depois do deserto para enxergar alguma geografia.
e estar um modo de ser.

mas enquanto não configuro a geografia,
[o deserto também é limbo de desenhos em geografias]
vou ser e gostar sem nomes e traçar linhas desencontradas, como no limbo.
limbo de oceano de emoções em águas calmas
oásis de pequenas alegrias
oásis de olhar granulado ao sol.

3.6.12

As cidades dentro das cidades e a cidade imaginada.

No redemoinho, a água tem camadas.

como as cidades, que se constroem sobre si mesmas, 
rapidamente, em círculos.

círculo: 
volta, retorno, fechamento, sem ponto de partida, sem ponto de chegada-fechada.
re-inícios, re-loopings, re-observações, re-distanciamentos.
Em curvas, em tonturas, indo para todo lugar, indo para lugar nenhum.

Não quero estar na curva, quero estar na linha.

Nas quadras, nos encontros, nas portas.
Nas passagens, nos corredores, nos cruzamentos.
Nas travessias, nos barcos, no mar.

...no mar de cidades, deve existir a cidade oásis.
[tão real porque tão longe do deserto].

Perdida entre pistas, entre cidades diversas.
às vezes escondida nas curvas, nas tangentes...
Nas esquinas as curvas dissolvem-se em linhas.
em encontros, em acostamentos.

A cidade oásis é cidade de sonho e de projeção.


é busca nas tangentes, busca nas retas.
é turva de quem busca sonhando, olhando para...
é busca de quem olha.

É projeção de construção.
Em cada linha, um risco.
um traço, uma soma, um encontro.

...
De esquina em esquina, como quem soma vértices,
Construo a minha casa, o meu cubo, a minha paisagem de mesh points.

Em cada ponto um encontro, em cada ponto uma trama.
Em cada trama o encontro de cidades e de tricô.
Costurando-tricotando-tramando uma paisagem de viver.

Uma paisagem-rede, a pescar a minha cidade oásis dentro do mar de cidades.


__________________________________________________________________
ilustração de Dan Mountford.









28.5.12

o deserto colecionado

o deserto dos outros:
[não consigo deixar de me perguntar... qual a diferença do deserto rochoso, diferente do deserto areia, areia-movediça...]



a desert feeling.
 ·  · 


4.5.12

adubar o deserto

o deserto é a busca do oásis.

sobre o oásis:
a ilusão não está no objeto de desejo, está no lugar do objeto de desejo.
algo que é buscado cegamente no lugar onde ele não está.
então, a questão: se eu mudar de lugar, alcanço o desejo?

o deserto é local a ser atravessado, não é lugar de chegar.

e todo o trajeto tem a mesma paisagem,
dissimulada como as dunas...

...
toda a areia com as marcas dos meus pés.
caminho na estrada, caminho na paisagem.

cada marca é um ponto-grão de areia.
um ponto marcado como a ponta da bengala de quem quer chegar.

é que em cada marca eu adubo a terra,
adubo a distância percorrida,
[toda a distância projetada],
cimento a areia,
[areia não-movediça, areia não-oásis],
atravesso o salto no tempo de aterrizar.

mergulho no salto, mergulho-trajeto.
o limite do deserto é a outra parte da estrada.
estrada de cimento sinuosa,
sinuosa de velocidade de viver.

o salto em vertigem

o respiro anterior ao salto é longo.
sabemos, pois percorremos todo ele.
uma caminhada interior.

o salto é indistinto.
é tempo transformado.
é curto,
um mundo em pequena distância.

meditativo. o salto é ação-dentro.
e tudo é turvo...
.................................
grandes distâncias percorridas num fragmento de pensamento.
grandes profundidades sentidas numa emoção só.
grandes profundidades caminhadas,
tudo que é tão próximo cada vez mais distante.

...

um salto é um passo em milhares de passos.
é cruzamento.
um passo denso. 
dentro.

dentro dele o mar.
o mar revolto
o mar vertigem.
é não saber onde começou
é não entender quando vai terminar.

.................................

o salto é como voar e voar é também aterrizar.
o salto é lapso-temporal.

distâncias-vertigens, o oásis no deserto.
é a busca de atravessar, indistinto o tempo que demore,
indistinto o viver de chegar.



3.1.12

oh Beckett, sempre Beckett...


Nunca ter tentado. Nunca ter falhado.
Não importa. Tentar outra vez. Falhar
outra vez. Falhar melhor.

Samuel Beckett, Worstward Ho, 1983*

*No livro: In a given situaticion, Francys Alÿs, Cosac Naify, 2010.


10.12.11

estrangeirismos

O ESTRANGEIRO É LUGAR DO EXPERIMENTAL.

[estranhamento como oportunidade para a novidade, estranhamento para o mergulho em si(m) mesmo].


29.9.11

emoção em looping:


Revirar os olhos.
Correr.
Olhar para os lados.
Passar o dia deitado na cama em silêncio. [Chris Burden performance]
Não conseguir se mexer.
Não conseguir parar.
Viver-correr.
Abrir portas [e não ter coragem de fechá-las].
Ir conforme a correnteza.
Vertigem.
Indefinições.
Indecisões.
Ver.
Esquecer-se da impermanência das coisas [das pessoas, das relações, dos interesses, da vida].
Rir compulsivamente.
Chorar compulsivamente.
Certas canções.
Mergulho.

Todas as coisas que me causam a alegria mais franca e ensolarada são também as mais efêmeras [escorrem como água pelos dedos...]
Mas as torneiras estão em todos os lugares, é apenas uma questão de ver.