Para você, o meu sorriso é mais sincero do que para os outros.
29.4.11
3.4.11
desejar - esquecer-se
[ou: A loucura da fuga]
a persistência no desejo é possível através da lembrança constante.
lembrar - fixar - não deixar-se esquecer.
lembrar de maneira compulsória não permite a distração.
e qual poderia ser o sentido funcional da distração?
... não a distração como maneira de não enlouquecer na persistência, mas a distração como fuga que se impõe, que nos sequestra do desejo como válvula de...
...escape?
...auto-sabotagem?
para driblar a sabotagem: o eterno retorno.
avanços espirais,
vôos cíclicos e direcionais.
mas ainda: Haveria outra distração dissimulada no meio destas?
desejo-distração.
a distração como lembrança por oposição.
[para lembrar que existem outras coisas no mundo a desejar,
para lembrar do desejo-persistência pela distância, como a chuva faz lembrar o sol].
distração - catatonia necessária.
voltar correndo para o desejo como que para o amante.
correr. correr.
28.3.11
sobrevoar conversas
As conversas são como lugares.
E às vezes simplesmente não desejamos estar neles.
mudar de conversa - mudar de geografia.
às vezes somos vizinhos [linhas paralelas]:
conversam conosco como se estivéssemos ali,
mas já fugimos para casa
[ali do lado - nem perceberam].
às vezes somos paraquedistas:
caímos sem querer, sonhamos com o resgate.
às vezes sou ilusionista:
acham que ainda estou ali, e meu holograma de fato está.
enquanto converso, viajo para outros mil lugares.
...
sobrevoar conversas:
sons indistintos chegam nas alturas
capto o que o acaso faz interessar,
engano o outro como quem presta uma gentileza.
13.3.11
a vontade e o olhar.
Mal vale a pena ver, sem querer ouvir-perceber.
Breton bem sabia do acaso: jogar-se é como ter os olhos muito abertos.
Mas nem desejo ver tanto,
apenas vontade de ser alguém sem guarda-chuva.**
*André Breton, Nadja, ed. cosac naify, 2007
**Enrique Vila-Matas, A Viagem Vertical, ed. cosac naify, 2004
10.3.11
descompostura.
disse a ele: [...] e que o caminho da arte era o da impostura , que a única fonte do belo era a ação, e que a arte na verdade era somente uma maneira de fazer, e não uma forma de pensar. O importante era a ação. Todo o resto tinha algo de doentio.*
[...]
Estranhamente, sou uma artista quando tudo começa na "forma de pensar".
sou artista desde a origem do pensamento.
Por outro lado, pensar é como vivenciar sozinho e não falar:
O ato de expressar verbalmente [e em outros lugares] dá vida ao pensamento e a certos acontecimentos.
Não falar é como se nada tivesse acontecido.
Se eu levar o meu pensamento para tudo o que fizer, ele estará impresso inclusive nas formas.
Isto é tudo o que importa, como uma alavanca de ação.
*Enrique Vila-Matas
A Viagem Vertical, ed. Cosac Naify, 2004.
8.3.11
geografia íntima.
Enrique Vila-Matas
A Viagem Vertical, ed. Cosac Naify, 2004.
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