29.6.11

Instant Karma

Para purificar-se num instante:

Well we all shine on!!!
Like the moon, and the stars, and the sun...

A coisa mais bonita desta música é que John Lennon a canta com tanta força, como se ela fosse proporcional à possibilidade do desejo realizado.

8.6.11

o lugar no não-lugar

[lost in translation 5]

estar entre os seus, estrangeiros, todos eles.
...

o não-lugar como ponto zero.

o não-lugar como espaço de estar. zero como o lugar, olhos abertos, copo esvaziado.
toda a intensidade vivida no não-lugar nos atravessa como a uma holografia.
intenso, vívido, etereo.

permanente depois de vivido.
surreal na pele.

...................

como se situar no não-lugar?
e, se isso soa tão simples e espontâneo, como situar-se aos lugares?
[os de sempre, em que vivemos]

como voltar para o real ludibriado, deixar aquela não-casa para trás?

minha casa é o lugar em que nunca estive. minha casa é viver o lugar como cada não-lugar. estrangeirismos...
ser estrangeiro nada mais é do que olhar de fora. dentro.

o não-lugar é lugar do impossível, de estar em todo canto, de ver enquanto vive cego, o olhar zero a cada dia.

...................

vou estar impossível, e tão real que os dias não vão se dar conta de que me mudei.



30.5.11

18.5.11

o pára-quedista.

O primeiro passo é o salto no escuro.

A queda-livre é curta.
Não reconhecemos o entorno, as sensações se confundem na vertigem.

Aterrizar é chegar é de fato?
O reconhecimento é lento e nublado como a vertigem.
Reconhecemos enquanto agimos, o ato de viver parece incerto como o passo seguinte, enquanto a neblina não se desfaz.

A vantagem de viver na neblina é a novidade a cada passo,
A novidade do que já parecia tão antigo, tão sabido.

Viver na neblina é aprender nas velhas manias, é revisar o viver.
Com o olho novo, quem sabe não reconheço algo que sempre esteve ali, algo que nunca havia percebido.

É cansativo saltar todos os dias...

(então aproveite o salto diferencial!)
Vertigem é deleite.


3.4.11

desejar - esquecer-se

[ou: A loucura da fuga]

a persistência no desejo é possível através da lembrança constante.
lembrar - fixar - não deixar-se esquecer.

lembrar de maneira compulsória não permite a distração.

e qual poderia ser o sentido funcional da distração?

... não a distração como maneira de não enlouquecer na persistência, mas a distração como fuga que se impõe, que nos sequestra do desejo como válvula de...
...escape?
...auto-sabotagem?

para driblar a sabotagem: o eterno retorno.
avanços espirais,
vôos cíclicos e direcionais.

mas ainda: Haveria outra distração dissimulada no meio destas?
desejo-distração.
a distração como lembrança por oposição.
[para lembrar que existem outras coisas no mundo a desejar,
para lembrar do desejo-persistência pela distância, como a chuva faz lembrar o sol].

distração - catatonia necessária.
voltar correndo para o desejo como que para o amante.

correr. correr.