ou golden hour after storn
o melhor sol é aquele que vem depois da chuva.
tingindo o dia e o olhar de alegria.
23.10.12
14.10.12
o sono e a vigília
... as questões da diferença entre ficção/ciência, entre fantasia/verdade que são variantes do binômio sono/vigília... *
Fico pensando na invenção como algo próprio do sono/sonho.
e com isso...
o único modo de estar atento ao mundo, percebê-lo
[observar-estar distanciado da invenção]
é a vigília, o estado desperto.
o estado muito atento às emoções no universo externo particular.
[particular, mas no mundo].
se tenho sono, não observo.
vivo no deserto caminhante.
aquele que perde-se de todas as referências...
aquele que inventa, que cria,
mas que pode viver a delusion programed,
em loopings de viver, em redemoinhos de areia.
como inventar o despertador no deserto?
qual o som que toca para o vento cessar, e os olhos se abrirem de fim de nevoeiro?
nevoeiro dentro de si, mal enxerga o sol.
não enxerga os layers que atravessam as camadas de ser,
por entre as frestas,
do sono, do desejo, do conforto deep on the ground.
areia movediça.
mar repuxo-movediço.
os pés soterrados
os olhos fechados
a paisagem encerrada em névoa
o mundo inventado e real tão esmaecido
o despertador é o sol de fim do dia cinza,
aquele que chega rente aos olhos, invade as frestas
sedutor e incisivo.
mas um convite irregular.
regular deveria ser a vigília, que busca estar acordada com o dia,
e sempre esquece que existem as noites,
sempre adormece de repente,
e às vezes tem vontade de hibernar.
hibernar pesado como os ursos
ou as árvores seculares que caem quando as cortamos.
o peso da noite no olhar obscurece até a invenção,
o mundo que inventarmos-buscamos viver,
aquele cheio de alegrias, desperto como as articulações do relógio.
[a busca do ponteiro são as 12 horas].
e depois outro sol, outro trajeto, mudar como as dunas de areia.
aquele que abre os olhos não enxerga melhor.
[o seu horizonte de deserto nunca muda, ainda que caminhante]
aquele que abre os olhos enxerga onde está.
se eu não me mover, é o mundo que se move.
se eu me movo eu fixo o deserto como fixo o meu oásis.
o mar.
aquela eterna busca inventada, enquanto dormia, enquanto navega.
*texto de João A. Frayze-Pereira, em catálogo sobre obra de Grete Stern, IMS, 2009.
Fico pensando na invenção como algo próprio do sono/sonho.
e com isso...
o único modo de estar atento ao mundo, percebê-lo
[observar-estar distanciado da invenção]
é a vigília, o estado desperto.
o estado muito atento às emoções no universo externo particular.
[particular, mas no mundo].
se tenho sono, não observo.
vivo no deserto caminhante.
aquele que perde-se de todas as referências...
aquele que inventa, que cria,
mas que pode viver a delusion programed,
em loopings de viver, em redemoinhos de areia.
como inventar o despertador no deserto?
qual o som que toca para o vento cessar, e os olhos se abrirem de fim de nevoeiro?
nevoeiro dentro de si, mal enxerga o sol.
não enxerga os layers que atravessam as camadas de ser,
por entre as frestas,
do sono, do desejo, do conforto deep on the ground.
areia movediça.
mar repuxo-movediço.
os pés soterrados
os olhos fechados
a paisagem encerrada em névoa
o mundo inventado e real tão esmaecido
o despertador é o sol de fim do dia cinza,
aquele que chega rente aos olhos, invade as frestas
sedutor e incisivo.
mas um convite irregular.
regular deveria ser a vigília, que busca estar acordada com o dia,
e sempre esquece que existem as noites,
sempre adormece de repente,
e às vezes tem vontade de hibernar.
hibernar pesado como os ursos
ou as árvores seculares que caem quando as cortamos.
o peso da noite no olhar obscurece até a invenção,
o mundo que inventarmos-buscamos viver,
aquele cheio de alegrias, desperto como as articulações do relógio.
[a busca do ponteiro são as 12 horas].
e depois outro sol, outro trajeto, mudar como as dunas de areia.
aquele que abre os olhos não enxerga melhor.
[o seu horizonte de deserto nunca muda, ainda que caminhante]
aquele que abre os olhos enxerga onde está.
se eu não me mover, é o mundo que se move.
se eu me movo eu fixo o deserto como fixo o meu oásis.
o mar.
aquela eterna busca inventada, enquanto dormia, enquanto navega.
*texto de João A. Frayze-Pereira, em catálogo sobre obra de Grete Stern, IMS, 2009.
13.10.12
o deserto abandono
* Fotografias de Álvaro Sánchez-Montañés da aldeia abandonada de Kolmanskop, Namíbia.
.................
o deserto invasor é cheio, é o preenchimento do abandono.
é o suave tempo das dúvidas, das incertezas, dos apagamentos.
o esquecimento.
...
o deserto é caminhante, e procura o desconhecido.
3.9.12
os desejos atemporais
são como o mar revolto.
revoltos dentro de si, perdidos no vai-e-vem de ondas, de redemoinhos temporais.
alargam a vontade para além de seu tempo, de sua paz, de seus amores, das conveniências...
são teimosos, navegam contra a maré do tempo.
navegam contra a razão, contra a efemeridade de ser, contra as geografias...
se perdem em ondas sonoras, em ondas de saudade ecoada.
são tão leves que se confundem na areia.
são tão densos que se perdem no mar.
no mar de tudo que sou, no oceano do outro, no eterno mistério de desconhecer.
porque o desejo é querer navegar o desconhecido.
é ter olhos de estrela enquanto navego olhando para o céu.
o céu e o mar noturnos são um só.
são o horizonte perdido no tato de quem quer tocar.
...
os desejos atemporais são leves como a efemeridade,
e persistentes como quem caminha em linha equilibrista, atravessando os tempos sem se abater.
eles nunca perdem a força,
nunca ficam fracos de nostalgia,
[não possuem o vivido para viver]
apenas dormem, quando os deixamos cair no profundo mar.
e toda a vez que o mar se revolta eles batem nas rochas,
quebram em luz branca, jogados de volta para superfície.
[para a pele tão sensível de desejar]
tão luminosos, tão visíveis, e de geografia tão fugaz.
revoltos dentro de si, perdidos no vai-e-vem de ondas, de redemoinhos temporais.
alargam a vontade para além de seu tempo, de sua paz, de seus amores, das conveniências...
são teimosos, navegam contra a maré do tempo.
navegam contra a razão, contra a efemeridade de ser, contra as geografias...
se perdem em ondas sonoras, em ondas de saudade ecoada.
são tão leves que se confundem na areia.
são tão densos que se perdem no mar.
no mar de tudo que sou, no oceano do outro, no eterno mistério de desconhecer.
porque o desejo é querer navegar o desconhecido.
é ter olhos de estrela enquanto navego olhando para o céu.
o céu e o mar noturnos são um só.
são o horizonte perdido no tato de quem quer tocar.
...
os desejos atemporais são leves como a efemeridade,
e persistentes como quem caminha em linha equilibrista, atravessando os tempos sem se abater.
eles nunca perdem a força,
nunca ficam fracos de nostalgia,
[não possuem o vivido para viver]
apenas dormem, quando os deixamos cair no profundo mar.
e toda a vez que o mar se revolta eles batem nas rochas,
quebram em luz branca, jogados de volta para superfície.
[para a pele tão sensível de desejar]
tão luminosos, tão visíveis, e de geografia tão fugaz.
26.8.12
19.8.12
geografia temporal
o desencontro é muito mais do que uma questão de geografia.
é o cruzamento dos caminhantes em linhas de tempo distintas.
podemos viver sempre contornando.
as linhas das fronteiras, das arestas, das periferias...
os muros, os redemoinhos, as incertezas...
ou atravessar os desertos, saltar os abismos, equilibrar-se entre as a janelas.
no entanto, somos sempre um trajeto.
uma busca, um sentido de ser.
quantas linhas se cruzam na geografia do tempo?
quantas estradas posso percorrer no meu território de tempo?
tantas estradas sinuosas, tantas esquinas quebradas, desencontradas...
geografia efêmera de tempo.
deslocando todas as continuidades, todos os laços afetivos, todos os olhares.
todos os lugares e estados de ser.
tenho em mim tantas estradas quantos raios posso projetar.
brilhante estrada de fim de dia, de fim de luz, de fim de horizonte.
[mas a estrada renasce em dias e noites tanto quanto as estradas de ser são retas e sinuosas]
a minha viagem, é vertical*
a viagem de tempos e lugares num mesmo lugar.
a viagem de olhar silencioso, de poros que gritam.
a viagem de dançar dentro de casa, dentro de si.
a viagem é vertical porque atravessa o ar, os prédios, as pistas, a superfície, a pele, e cai dentro do mar.
dentro do profundo azul,
azul noite
noite escura dentro do mar.
iluminado pelo peixe abissal como as janelas distantes
[existe luz, mas tudo são silhuetas...]
mas há noites claras como o dia.
iluminando todos os cantos, o olhar veloz de quem percorre estradas.
revelando na passagem do eclipse o olhar de silhueta.
olho vivo, denso e atroz.
todos os dias.
e nenhum deles.
exatamente como as distâncias.
a distância não é geografia, é um sentimento.
ou em outras palavras, um estado de estar.
não importa a linha geográfica, importa a linha temporal.
- as linhas podem cruzar sem nunca se encontrar.
[o encontro exige a pausa da passagem, a suspensão do movimento-tempo-sincronizado]
- ou podem se encontrar, mas não se enxergar.
[às vezes, as nebulosas não estão nas estrelas, estão nos olhos]
a geografia efêmera me permite encontrar alguém que não está lá.
[está em outro lugar, e quando estiver aqui, talvez eu já não esteja].
estamos no mesmo lugar, em tempos diferentes.
a tristeza das linhas paralelas é que elas sempre estão em sintonia, sem nunca se encontrar.
e existem as linhas desincronizadas, que se cruzam sem se encontrar.
...
em cada ponto da linha há um ponto para ser sincronizado.
em cada ponto existe um lugar, um olhar, uma experiência.
um ponto para a alegria, para o desejo.
meu corpo tem tantos pontos como contém esquinas.
e minhas curvas tão sinuosas contém toda a densidade do profundo silencioso do mar.
os amores são feitos de mesh points
quando deixamos de ser linha, somos uma trama.
somos uma paisagem enredada de viver.
todas as vezes que eu te encontrar, você vai pausar o seu ponto sobre o meu.
e vamos para outros lugares.
se encontrando, se confundindo, se encontrando.
quando eu já não souber mais onde estou e onde você está,
e nos encontrarmos em cada esquina,
a distância será sempre efêmera e o tempo sempre suspenso em pausa de encontro.
o lugar sempre o mesmo.
o lugar de ser, o lugar de estar.
a sintonia que nunca acaba, mesmo distante.
* A Viagem Vertical é um livro de Enrique Vila-Matas. Cosac Naify, 2004.
é o cruzamento dos caminhantes em linhas de tempo distintas.
podemos viver sempre contornando.
as linhas das fronteiras, das arestas, das periferias...
os muros, os redemoinhos, as incertezas...
ou atravessar os desertos, saltar os abismos, equilibrar-se entre as a janelas.
no entanto, somos sempre um trajeto.
uma busca, um sentido de ser.
quantas linhas se cruzam na geografia do tempo?
quantas estradas posso percorrer no meu território de tempo?
tantas estradas sinuosas, tantas esquinas quebradas, desencontradas...
geografia efêmera de tempo.
deslocando todas as continuidades, todos os laços afetivos, todos os olhares.
todos os lugares e estados de ser.
tenho em mim tantas estradas quantos raios posso projetar.
brilhante estrada de fim de dia, de fim de luz, de fim de horizonte.
[mas a estrada renasce em dias e noites tanto quanto as estradas de ser são retas e sinuosas]
a minha viagem, é vertical*
a viagem de tempos e lugares num mesmo lugar.
a viagem de olhar silencioso, de poros que gritam.
a viagem de dançar dentro de casa, dentro de si.
a viagem é vertical porque atravessa o ar, os prédios, as pistas, a superfície, a pele, e cai dentro do mar.
dentro do profundo azul,
azul noite
noite escura dentro do mar.
iluminado pelo peixe abissal como as janelas distantes
[existe luz, mas tudo são silhuetas...]
mas há noites claras como o dia.
iluminando todos os cantos, o olhar veloz de quem percorre estradas.
revelando na passagem do eclipse o olhar de silhueta.
olho vivo, denso e atroz.
todos os dias.
e nenhum deles.
exatamente como as distâncias.
a distância não é geografia, é um sentimento.
ou em outras palavras, um estado de estar.
não importa a linha geográfica, importa a linha temporal.
- as linhas podem cruzar sem nunca se encontrar.
[o encontro exige a pausa da passagem, a suspensão do movimento-tempo-sincronizado]
- ou podem se encontrar, mas não se enxergar.
[às vezes, as nebulosas não estão nas estrelas, estão nos olhos]
a geografia efêmera me permite encontrar alguém que não está lá.
[está em outro lugar, e quando estiver aqui, talvez eu já não esteja].
estamos no mesmo lugar, em tempos diferentes.
a tristeza das linhas paralelas é que elas sempre estão em sintonia, sem nunca se encontrar.
e existem as linhas desincronizadas, que se cruzam sem se encontrar.
...
em cada ponto da linha há um ponto para ser sincronizado.
em cada ponto existe um lugar, um olhar, uma experiência.
um ponto para a alegria, para o desejo.
meu corpo tem tantos pontos como contém esquinas.
e minhas curvas tão sinuosas contém toda a densidade do profundo silencioso do mar.
os amores são feitos de mesh points
quando deixamos de ser linha, somos uma trama.
somos uma paisagem enredada de viver.
todas as vezes que eu te encontrar, você vai pausar o seu ponto sobre o meu.
e vamos para outros lugares.
se encontrando, se confundindo, se encontrando.
quando eu já não souber mais onde estou e onde você está,
e nos encontrarmos em cada esquina,
a distância será sempre efêmera e o tempo sempre suspenso em pausa de encontro.
o lugar sempre o mesmo.
o lugar de ser, o lugar de estar.
a sintonia que nunca acaba, mesmo distante.
* A Viagem Vertical é um livro de Enrique Vila-Matas. Cosac Naify, 2004.
13.8.12
Babylon Soul - uma crítica, one inspire*
Um amigo cuja aptidão musical aprecio e admiro (não importa a ordem, importa o que se cria), criou:
Rebonjour - Babylon Soul
...
Há muito tempo tenho vontade de escrever criativamente-criticamente-poeticamente sobre o que gosto e me afeta musicalmente (e em outros gêneros que agora não importam, um dia chegaremos lá).
Esse texto é feito de faixas musicais e densidade nos ouvidos. enfim, Escute-leia-sinta:
Rebonjour - Babylon Soul
...
Há muito tempo tenho vontade de escrever criativamente-criticamente-poeticamente sobre o que gosto e me afeta musicalmente (e em outros gêneros que agora não importam, um dia chegaremos lá).
Esse texto é feito de faixas musicais e densidade nos ouvidos. enfim, Escute-leia-sinta:
Atividade, impacto. ciclos. é hora de chegar.
Heart full of life, open heart.
Menahan Street Band é a band das calçadas, das caminhadas cinzas e ensolardas, do olhar nebuloso de oásis.
The wave goodbye é densidade gritando nos poros, é a noite, as nebulosas estelares, tudo o que é brilhante e se estilhaça no ar como fogos de artifício.
A aspereza de uma canção profunda e disfarçadamente melancólica.
The celebration é o passo apressado dos metrôs, da vida que corre sem a gente perceber.
há quanto tempo estamos aqui?
há quanto tempo estamos aqui?
o que viemos fazer aqui afinal?
quando você vai olhar para o seu buraco antes que o buraco da cidade te engula, afinal?
sim, essa canção corta para a melancolia como quem lembra que a alegria é um sentimento efêmero, que dura pelo esforço de cativar.
o olhar fica nebuloso na poeira dos dias e não importa, caminhamos assim mesmo.
Forever Dolphin Love me comove no formato deep inside.
mas em deep inside vive a vontade de dançar,
de rir e de chorar, de olhar no vazio [e tão cheio] profundo da noite.
Cinematic enquanto passagem cinética, e previsível dos dias. A profusão da minha faixa preferida [of cinematic] me imobiliza, obriga a contemplação de uma sp estranha e tão comum a mim. a todos nós anônimos e estranhos pela distância de desconhecer e reconhecermos a nós mesmos, outra e outra vez.
Com Roling Stones vejo a passagem do tempo, o sol, a chuva e a alegria dos dias chegando…
caminhamos, enfim.
caminhamos, enfim.
Balek: zapping em anéis de saturno. a caminhada em desertos sonoros.
E claro, o jazz chega manso como aquele convidado que já estamos esperando…
Little Boxes me lembra Baby Jane, toda a vez. não há como escapar.
A insanidade cute se apresenta.
Ela prepara para a densidade dos acordes seguintes,
o ar enevoando, o ar do deserto.
o ar enevoado tão claro quanto a luz que o atravessa, iluminando e turvando os olhos.
E depois a caminhada Magik Marker.
A caminhada rumo ao redemoinho veloz de ideias em direção ao buraco de si.
E então a calmaria de quem sente o sol do deserto em todos os poros. [over the ocean]
Morphine anuncia o final chegando.
Calmo, leve como quem sempre pode voltar.
Gordon Jenkins me confirma que o final é uma piada. A eterna comédia de viver.
Lembra que sp exige bom humor. Leveza e alegria mesmo nas pauladas no final.
Je te laisserai des mots é a melancolia que sempre chega.
É sabedoria deixá-la repousar sobre nós.
Vivê-la e deixá-la ir….
Free. Free melancholia serena. saber que tudo é um ciclo, tantas voltas, tantas vidas.
E o tango feroz, confirma enfim: sejamos bem humorados, como forma de olhar para o buraco e o vazio que nunca nos abandona.
Só o peso do tango tangencia a vida de modo mordaz, e tão real.
*spirit desire, spire desire, spirit desire... we will fall...
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