26.2.09
ocupar o vazio
talvez o problema seja mesmo a infinidade de possibilidades.
mas, às vezes, o vazio precisa ser sentido.
mergulhar e ser nada no vácuo.
criar sentido.
o sentido é o primeiro material de uma série, através dos quais criarei o tijolo,
com o qual construirei o muro.
o muro e toda a densidade para tapar o buraco.
cimentado de acordo com o meu estado de espírito.
nervos.
uma liga imprevisível.
o muro pode ser desfeito (pela vontade ou não),
ou talvez permaneça cimentado para sempre.
qual o proveito de reabrir um buraco?
veja bem, não é cavar um vazio.
e se reaberto, ainda será o mesmo?
de quantos tipos podem ser os nossos vazios?
é provável que eu encontre entulhos.
e memórias esquecidas.
18.2.09
reflexões sobre Miller IV
"Nunca houve um sonho de vida esplêndido demais, deslumbrante demais, para se encaixar na imagem da realidade. Aqueles que temem estão condenados; aqueles que duvidam, estão perdidos."
"estar perdido" me parece algo bem distinto de "perder-se".
estar perdido é como o minotauro no labirinto. espera por ser encontrado, mas algo mais: não consegue sair.
perder-se é entregar-se. quase que com uma certeza de jamais estará perdido.
pelo contrário, perder-se para não estar perdido.
movimento contra estar parado.
reflexões sobre Miller III
"Porque somos tão cheios de restrições? Porque não nos entregamos em todas as direções? Será medo de perder a nós mesmos? Até que nos percamos, não pode haver esperança de nos encontrarmos. Somos do mundo e para entrar plenamente no mundo precisamos primeiro nos perder nele. O caminho do céu nos leva através do inferno, é o que se diz. O caminho que tomamos não tem importância, contanto que deixemos de percorrê-lo com cautela." !
Henry Miller - O Mundo do Sexo.
alguns comentários:
1 - há algum tempo venho dizendo coisas sobre: desencontro para o encontro.
2 - do contentamento em encontrar confirmado num pedaço de papel que vêm sobrevivendo ao tempo. sim, alguém concorda, eu sei e quero me ater à idéia de que ele não mudou de opinião. ilusão sim!
3 - porque sem cautela podemos sentir. se eu pensasse, não me perderia.
mais importante:
entrega. certeza mesmo sem ter certeza. ir e deixar. certeza para o abandono.
o que o céu significa aqui?
provavelmente é o menos relevante.
17.2.09
reflexões sobre Miller.
Esta imagem:
"Aqueles que não tinham coragem para se conportar com tal leveza, aqueles que se importavam, que sentiam profundamente, em outras palavras, perdiam-se na confusão. Ninguém notava seu desconforto. Simplesmente não existiam."
Henri Miller - O Mundo do Sexo.
Fiquei pensando no turbilhão agitado confinado em um corpo silencioso. Como o silêncio pode ser um grito, um desepero contido apenas por não saber em que direção ir, já que tantas são as direções. Ou melhor, pode haver tanto a dizer.
Assim: por causa de um(s) movimento (grande, rápido), ficamos parados. Não saímos do lugar.
Tudo geralmente também é nada.
Como podemos não existir para os outros?
Quero dizer, uma outra pergunta: pode haver uma ação para não existir?
Deve-se deixar claro, o conceito de não existir é muito diferente do conceito de ausência.
Resolverei não existir para os outros, e ainda assim continuarei existindo.
De certa forma, não existe domínio para a própria existência:
"Ainda que nunca mais a veja, é livre para pensar nela, falar com ela em seu sonho, amá-la, amá-la à distância, amá-la para todo o sempre. Ninguém pode lhe recusar isso. Não, ninguém."
O máximo que consigo é estar ausente. Tenho partes soltas no mundo.
Mas estas partes, misturan-se às outras pessoas, ou pelo menos à idéia que estas fazem de mim.
Sou eu e também não sou.
Por outro lado, não existir é da ordem do involuntário, é sofrer indiferença.
Uma outra solução, é que os outros não existam para mim.
Se eu jamais pensar neles, eles nunca pensarão em mim.
A partir desta ação posso traçar todo um plano para não-existir.
Isto exige determinação, nunca olhar para trás.
Posso não ter controle sobre o meu próprio olhar, e aí, tudo estará perdido.
28.1.09
resignação
uma palavra pinçada.
pega-se de algum lugar,
para soltar em outro.
queria que quase todas as palavras deste texto fossem não-palavras.
não-palavras, não-texto, sem comunicação.
somente a - resignação - [enquanto palavra].
solta neste espaço.
espaço virtual (mas também visual) com prazo de validade-duração.
assim, pergunto:
que forma a palavra resignação toma neste espaço?
é para você mesmo que eu pergunto.
[eu nem estou aqui].
você quem?
[também não está aqui].
como final-introdução, já que Blanchot mesmo diria que ponto de chegada é ponto de partida, solto a palavra novamente:
R E S I G N A Ç Ã O
pega-se de algum lugar,
para soltar em outro.
queria que quase todas as palavras deste texto fossem não-palavras.
não-palavras, não-texto, sem comunicação.
somente a - resignação - [enquanto palavra].
solta neste espaço.
espaço virtual (mas também visual) com prazo de validade-duração.
assim, pergunto:
que forma a palavra resignação toma neste espaço?
é para você mesmo que eu pergunto.
[eu nem estou aqui].
você quem?
[também não está aqui].
como final-introdução, já que Blanchot mesmo diria que ponto de chegada é ponto de partida, solto a palavra novamente:
R E S I G N A Ç Ã O
27.1.09
do resgate de um texto perdido
e o mais curioso,
é que hoje eu li um texto que tinha a ver.
(com o texto perdido/ resgatado).
se houver predisposição, sempre "terá a ver"?
mas isso atualmente tem pouca relevância.
a não ser a surpresa-regozijo-emocional.
no entanto, é sempre interessante uma retomada de pensamento.
nunca é o mesmo.
nunca mais.
na recuperação, algo perdeu-se.
não importa há quanto tempo,
já está no limbo do irrecuperável.
mas no limbo se transforma,
às vezes parece que algo emerge.
alguns diriam: era só o que importava.
ou: era o que importava! (o resto, não).
isto cansa-me.
qual a importância das coisas importantes?
se esta questão parece não fazer sentido,
que seja sentida pelo estranhamento,
pela entrada no terreno da dúvida.
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