25.7.13
22.7.13
a falta de ar amor
chorar é despir-se.
deixar esvair,
transbordar,
transpirar.
é o olho gritando a pele ardida,
a falta de ar que é o suspiro e o engasgo.
é a dor que custa a sair,
o nó dentro da garganta ,
soluço dentro do peito.
o choro vem depois da falta de ar desde o dia em que nascemos.
eu choro pra respirar,
pra pensar sentir pensar
pra trocar cada lágrima por um raio turvo de sol.
turvo é o olho daquele que chora.
turva o oho para poder enxergar dentro.
pra secar a ferida
pra drenar o resto de amor.
pra aquele amor inflamado
inflado de fogo e pesar,
possa virar cinza,
possa virar poeira.
que vire ar.
leve dentro do peito antes ardido,
lavado de choro
lavado de chuva
vá embora devagarinho
aquele raio turvo inalcançável
flare de amor perdido.
deixar esvair,
transbordar,
transpirar.
é o olho gritando a pele ardida,
a falta de ar que é o suspiro e o engasgo.
é a dor que custa a sair,
o nó dentro da garganta ,
soluço dentro do peito.
o choro vem depois da falta de ar desde o dia em que nascemos.
eu choro pra respirar,
pra pensar sentir pensar
pra trocar cada lágrima por um raio turvo de sol.
turvo é o olho daquele que chora.
turva o oho para poder enxergar dentro.
pra secar a ferida
pra drenar o resto de amor.
pra aquele amor inflamado
inflado de fogo e pesar,
possa virar cinza,
possa virar poeira.
que vire ar.
leve dentro do peito antes ardido,
lavado de choro
lavado de chuva
vá embora devagarinho
aquele raio turvo inalcançável
flare de amor perdido.
20.6.13
amar é ato de um fôlego só.
amar também é um mergulho.
todos os mergulhos requerem amor,
e o desejo que é a vontade profunda.
...
é possível viver o amor sem o mergulho?
a menos que ele chegue devagarinho...
sem querer
sem perceber
sem esperar.
...
é melhor mergulhar enquanto estou vendada.
.
assim não respiro todas as inseguranças.
todos os bloqueios
todos os receios.
...
amar merece ser o mergulho de um fôlego só.
pra engolir o outro com toda intensidade.
virar casulo e voar.
porque se o amor não voa ele é frágil.
de tudo o que poderia ter sido e não foi.
de tudo o que tive medo de ser.
se os dois não souberem voar,
não saberão voar junto
e ficarão quietinhos vendo o outro desaparecer embaixo da terra.
desaparecer para ir a outro lugar.
...
minhas mãos são asas
que seguram e abraçam leve
o ar na ponta do pulso,
o impulso na ponta da abraço.
a vontade projetora propulsora.
leve de ar................................
o fôlego tem o tamanho da distância do mergulho.
depois dele vou me perder no outro
embaçar o olhar
que mira o horizonte tão distante das nossas linhas paralelas.
todos os mergulhos requerem amor,
e o desejo que é a vontade profunda.
...
é possível viver o amor sem o mergulho?
a menos que ele chegue devagarinho...
sem querer
sem perceber
sem esperar.
...
é melhor mergulhar enquanto estou vendada.
.
assim não respiro todas as inseguranças.
todos os bloqueios
todos os receios.
...
amar merece ser o mergulho de um fôlego só.
pra engolir o outro com toda intensidade.
virar casulo e voar.
porque se o amor não voa ele é frágil.
de tudo o que poderia ter sido e não foi.
de tudo o que tive medo de ser.
se os dois não souberem voar,
não saberão voar junto
e ficarão quietinhos vendo o outro desaparecer embaixo da terra.
desaparecer para ir a outro lugar.
...
minhas mãos são asas
que seguram e abraçam leve
o ar na ponta do pulso,
o impulso na ponta da abraço.
a vontade projetora propulsora.
leve de ar................................
o fôlego tem o tamanho da distância do mergulho.
depois dele vou me perder no outro
embaçar o olhar
que mira o horizonte tão distante das nossas linhas paralelas.
30.3.13
o vazio que é o eco.
uma imagem:
uma pessoa com todas as qualidades para não cantar.
tem timidez.
não tem disciplina.
não tem afinação,
tem ansiedade.
não respira bem
não sabe bem marcar, falar, projetar o som ao longe.
no lugar da garganta
tem um vazio.
[o vazio tem tantos tipos quanto funções]
o vazio de tudo o que se recusou a funcionar e de lá foi embora;
o vazio de todas as frustrações extraídas, aquele das vontades que não germinaram.
o vazio da comunicação não exercida, a fala muda da falta de inspiração.
mas a canção não começa na garganta.
começa no coração alegre, na dor que percorreu todo o corpo.
[e a projeção é antes de tudo mental].
...
outra imagem:
o vazio é uma caixa acústica.
uma caixa interna de vibração e eco.
o vazio é é bomba pulsante.
[se torna vontade propulsora].
e a vibração é a melodia que começou no corpo todo.
no corpo alegre de querer projetar a sua voz ao mundo todo.
e canta, mesmo sem respirar bem pra marcar, falar, projetar o som ao longe.
canta porque a canção começou na alegria e vontade muito intensas,
na frequencia descompassada que é o desejo.
dentro do corpo,
dentro da mente, um salto.
o salto de quem canta a partir do vazio.
a ausência que vai potencializar todo o preenchimento,
da caixa em que cabe todo o desejo do corpo,
a ser emitido em alta frequencia,
derramado em todos os gestos, todas as palavras entoadas, todas as vontades germinadas.
uma pessoa com todas as qualidades para não cantar.
tem timidez.
não tem disciplina.
não tem afinação,
tem ansiedade.
não respira bem
não sabe bem marcar, falar, projetar o som ao longe.
no lugar da garganta
tem um vazio.
[o vazio tem tantos tipos quanto funções]
o vazio de tudo o que se recusou a funcionar e de lá foi embora;
o vazio de todas as frustrações extraídas, aquele das vontades que não germinaram.
o vazio da comunicação não exercida, a fala muda da falta de inspiração.
mas a canção não começa na garganta.
começa no coração alegre, na dor que percorreu todo o corpo.
[e a projeção é antes de tudo mental].
...
outra imagem:
o vazio é uma caixa acústica.
uma caixa interna de vibração e eco.
o vazio é é bomba pulsante.
[se torna vontade propulsora].
e a vibração é a melodia que começou no corpo todo.
no corpo alegre de querer projetar a sua voz ao mundo todo.
e canta, mesmo sem respirar bem pra marcar, falar, projetar o som ao longe.
canta porque a canção começou na alegria e vontade muito intensas,
na frequencia descompassada que é o desejo.
dentro do corpo,
dentro da mente, um salto.
o salto de quem canta a partir do vazio.
a ausência que vai potencializar todo o preenchimento,
da caixa em que cabe todo o desejo do corpo,
a ser emitido em alta frequencia,
derramado em todos os gestos, todas as palavras entoadas, todas as vontades germinadas.
24.3.13
esperar e entender.
---
o mergulho que também é pisar na terra.
o horizonte que também é mergulho no mar.
* frame do filme 7 Dias em Havana, composto por 7 curtas em 7 dias da semana, sendo este del diretor Elia Soleiman.
13.3.13
O nós das coisas II
Hoje, por vias tortas* reencontrei o seguinte texto:
O nó das coisas
E fiquei pensando na maravilha inesperada que é ver um texto ainda fazer tanto sentido, tanto tempo depois.
Não é a mesma ocasião
Não é o mesmo acontecimento.
Não é a mesma pessoa que está vivendo, olhando, pensando.
Não é o mesmo sentimento.
é o mesmo sentido-sentimento,
é ser.
ainda ser aquela pessoa.
é porque as angústias nunca se esvaem totalmente.
ou quando esvaem, um dia retornam,
[tudo gira, gira, afinal.
mudamos e ainda somos o mesmo.]
embaixo de outro rosto.
de outra sombra, de outros porquês.
e agora?
e se o texto me diz: dar um tempo.
...
dar um tempo pra entender.
pra viver, decidir, aceitar, transformar, mudar na mesma direção.
ou...
não. nem isto, nada disto.
A resposta que é a dúvida.
Uma vez me disseram: viva a dúvida.
...viver, perguntar dentro, observar, sentir.
Nem tanto entender, quanto: perceber.
...
Tem passos que são para trás.
Outros são parados, paralisados.
[o olho muito vivo de olhar fixamente na direção relaxada das coisas].
às vezes prefiro ser cega.
olhar com a nuca enquanto vou caminhando embora.
outras vezes,
enquanto não percebo vou caminhando na direção outra das coisas.
e eu às vezes não sei se caminho para me encontrar ou para me perder.
e tudo o que tenho são meus olhos muito vivos de procurar perceber,
apesar do coração em nuvens.
___
*por vias tortas: dizem assim: deus caminha certo mesmo que por vias tortas, ou, ele escreve certo por linhas tortas.
Em outras palavras, reecontrar um texto que tinha tanto a me dizer hoje foi providência divida, ou, uma coincidência algo assombrosa.
O nó das coisas
E fiquei pensando na maravilha inesperada que é ver um texto ainda fazer tanto sentido, tanto tempo depois.
Não é a mesma ocasião
Não é o mesmo acontecimento.
Não é a mesma pessoa que está vivendo, olhando, pensando.
Não é o mesmo sentimento.
é o mesmo sentido-sentimento,
é ser.
ainda ser aquela pessoa.
é porque as angústias nunca se esvaem totalmente.
ou quando esvaem, um dia retornam,
[tudo gira, gira, afinal.
mudamos e ainda somos o mesmo.]
embaixo de outro rosto.
de outra sombra, de outros porquês.
e agora?
e se o texto me diz: dar um tempo.
...
dar um tempo pra entender.
pra viver, decidir, aceitar, transformar, mudar na mesma direção.
ou...
não. nem isto, nada disto.
A resposta que é a dúvida.
Uma vez me disseram: viva a dúvida.
...viver, perguntar dentro, observar, sentir.
Nem tanto entender, quanto: perceber.
...
Tem passos que são para trás.
Outros são parados, paralisados.
[o olho muito vivo de olhar fixamente na direção relaxada das coisas].
às vezes prefiro ser cega.
olhar com a nuca enquanto vou caminhando embora.
outras vezes,
enquanto não percebo vou caminhando na direção outra das coisas.
e eu às vezes não sei se caminho para me encontrar ou para me perder.
e tudo o que tenho são meus olhos muito vivos de procurar perceber,
apesar do coração em nuvens.
___
*por vias tortas: dizem assim: deus caminha certo mesmo que por vias tortas, ou, ele escreve certo por linhas tortas.
Em outras palavras, reecontrar um texto que tinha tanto a me dizer hoje foi providência divida, ou, uma coincidência algo assombrosa.
5.2.13
deixar chover Manoel de Barros
... E aquele
Que nunca morou em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com seus fantasmas
Não foi marcado. Não será marcado. Nunca será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.
___
*trecho do poema ZONA HERMÉTICA, de Manoel de Barros, em Poesias [1947].
(no livro Manoel de Barros poesia completa, ed. Leya, São Paulo, 2012, p.82)
Que nunca morou em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com seus fantasmas
Não foi marcado. Não será marcado. Nunca será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.
___
*trecho do poema ZONA HERMÉTICA, de Manoel de Barros, em Poesias [1947].
(no livro Manoel de Barros poesia completa, ed. Leya, São Paulo, 2012, p.82)
Assinar:
Postagens (Atom)

